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Resenha: O corvo - James O'Barr

Graphic Novel: O corvo
Autor: James O'barr
  Editora: DarkSide 
Páginas: 272
Nota:⭐⭐⭐


Sinopse

E se a morte não fosse o fim para quem deseja vingança? A partir de uma tragédia pessoal, James O’Barr criou a história de Eric Draven, o protagonista de O CORVO que retorna para perseguir seus assassinos depois que estes interromperam uma vida de sonhos ao lado de sua amada Shelly. Sucesso desde quando começou a ser publicada de forma seriada e independente, em 1981, a jornada espiritual e a incapacidade de vencer o luto tocaram fundo os leitores, que se aproximaram de O’Barr, muitos de forma reverente. Outra tragédia marcaria o personagem: na adaptação de O CORVO para o cinema, Brandon Lee, que interpretava o protagonista, foi morto acidentalmente durante as filmagens, por uma bala de verdade, que deveria ser de festim. Todos esses incidentes, aliados à arte em preto e branco, as citações musicais de ícones do pós-punk e o lirismo de James O’Barr, carregam a graphic novel com uma sombria melancolia, que cativou e tocou o coração dos leitores ao redor do planeta. A versão definitiva deste clássico dos quadrinhos traz a força da arte e dos textos góticos de O’Barr, em edição mais que especial. Além de reunir a história completa criada pelo autor na época do lançamento, O CORVO ― Edição Definitiva apresenta ainda trinta páginas de artes inéditas, e uma sequência que o quadrinista não se sentiu a vontade para produzir nos anos 1980, conforme O’Barr confessa na introdução inédita.Ler esta edição é uma oportunidade de reviver e de conhecer os anos 1980 por um viés bastante sensível e belo, que perpetua o legado da obra original: a poderosa jornada de um anjo vingativo e a celebração do amor verdadeiro, de forma tão intensa, inteligente e inesquecível como sua concepção original.

Minha opinião

Sexta-feira 13 pede uma resenha dark, né?

Na Graphic Novel, conhecemos Eric Draven. Ele era um cara completamente apaixonado por sua esposa. Com muitos planos e sonhos com ela, já com a casa em reforma e noivos, em uma saída de carro para comemorar o noivado tudo isso muda...

O carro enguiça e pro azar e desespero deles, a gangue de T-bird cruza seu caminho. Eles passam pela estrada fazendo muita bagunça e quando percebem a presença de Eric e sua noiva, Shelly, resolvem voltar para "ajudar".

Eric percebendo o quão drogados estão e prevendo confusão, rejeita a ajuda, pede que Shelly se tranque no carro e acenda os faróis e isso só faz com que eles fiquem mais valentões. Na tentativa de proteger sua amada, ele insiste que não façam nada com ela, mas é atingido por tiros e pra sua infelicidade, ele sobrevive...

"A vida é tomada de dor, mas também cintila de beleza.
Não perca a chance de fazer parte da beleza.
Talvez não tenha outra."

Eric passa pelos piores momentos de sua vida lá, como um filme cruel passando em sua frente sem que ele pudesse fazer nada, apesar dos avisos do corvo que dizia para que ele não olhasse. Mas quando ele se recupera  resolve que vai se vingar de um por um daquela noite em que ele perdeu sua vida, a menina que era Shelly.

O corvo é uma graphic novel bastante violenta, afinal de contas é muito movida pela vingança, mas é uma obra também carregada de sofrimento.

James O'Barr conseguiu passar através das figuras e palavras toda a melancolia, culpa e devoção que Eric sentia por sua amada. Também não é pra menos, existe muito de James em Eric. James perdeu uma grande amiga quando ela se encaminhava para socorrê-lo de mais uma de suas bebedeiras e a culpa que ele sente por isso foi muito bem transportada para Eric.

Eric é um personagem empático apesar de tudo. Sua violência se direciona apenas para os que lhe fizeram mal. Ele também tem uma dose de sarcasmo em suas falas que confesso me fez rir em alguns momentos.


O corvo é uma graphic novel acima de tudo muito poética e de cortar o coração. Ela deu origem ao filme homônimo que de forma trágica e curiosa tirou a vida do jovem ator e artista marcial Brandon Lee, filho do famoso Bruce Lee.

Segundo um documentário do Discovery Channel, é comum usarem armas reais com festim em sets de filmagem, que é um cartucho sem balas, só com muita pólvora para produzir o clarão. Como não há bala, ela está segura. No entanto, esqueceram que uma bala estava presa no cano há duas semanas. Essa bala estava lá para a gravação de uma outra cena anterior. A chamavam de bala falsa porque não tinha pólvora e por isso consideravam-a segura. Mas estavam enganados.

A bala havia sido empurrada para o cano onde ficava praticamente invisível a menos que se olhasse dentro o cano, portanto ninguém a viu. No momento do acidente o perito de arma de fogo não estava presente e quando o ator disparou contra Brandon Lee todos demoraram para entender que o que tinha acontecido era real. A bala entrou no abdômen de Brandon e se alojou próximo à coluna. Ele passou por uma cirurgia de 10 horas e nunca mais recobrou a consciência...

James O'Barr tinha Brandon como um amigo e também se sentiu muito culpado pelo incidente mas recebeu muito apoio da noiva do ator que o consolou dizendo que não era sua culpa. E finalmente se perdoou.

"E nunca, nunca teremos medo.
O medo é para o inimigo.
O medo e os tiros."

Já conheciam toda a história por trás de O corvo?

Você pode adquiri-la aqui.

Por Amanda Rocha

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9 comentários:

  1. Eu só assisti o filme e é tão inevitável não pensar nisso que ocorreu com o ator. Imagino mesmo o quanto James tenha se sentido culpado.
    Quero muito ler essa graphic novel e só aumentou com sua resenha. Tenho certeza que será uma leitura mais forte devido as partes violentas.

    bjs

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  2. Eu lembro perfeitamente a época em que essa tragédia aconteceu, ainda não tive a oportunidade de ler, nem de assistir o filme e desejo demais essa linda obra da Darkside. Assim que realizar a leitura, te falo o que achei. Sua resenha está bem completa e muito informativa, parabéns!!!

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  3. Sim, eu conhecia, acho uma história intrigante. Imagino a culpa que o James sentiu com a morte do Brandon, foi realmente uma tragédia. Essa graphic novel está incrível, já quero pra ontem!

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  4. Cara! Você desenterrou uma coisa que já foi algo muuuuito importante para mim! Não lembro o ano exato, mas eu vi o filme numa época onde artes marciais e o teor depressivo de algumas desilusões amorosas( eu era um adolescente diferente, todos queriam ficar e eu querendo namorar sério ... já viu né) me guiavam, e este filme me fascinou, assisti umas 10 mil vezes! Foi legal o agridoce de trombar com essa etapa, provavelmente vou procurar o livro :)

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  5. Eu devo admitir que me senti mais atraída pela obra devido às tragédias que a rodearam do que pelo conteúdo em si. Tenho uma curiosidade imensa (que talvez pareça meio mórbida), por produções que tenham esse pano de fundo que quase torna o terror do enredo um pouco mais real...

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  6. Um dos meus livros favoritos, mas li há muito tempo. Preciso urgentemente reler. Ainda mais com uma edição dessas. Consegui até sentir o cheiro das páginas em minhas mãos. Assim que passar essa insanidade viral, vou providenciar esse exemplar.
    Eu me lembro que teve uma série baseada nesse livro. O filme eu não assisti, mas o livro... eu devorei e fui com ele para a diretoria porque a professora o considerou impróprio para a minha idade. rá.
    bacio

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  7. O primeiro ~contato~ que tive com O Corvo foi porque um dos personagens de um dos meus livros favoritos foi comparado ao protagonista (por conta da maquiagem hehe0. Desde então eu tenho uma curiosidade imensa sobre essa história, mas ainda não tive a oportunidade de ler ou ver ao filme. Quando soube desse lançamento da DarkSide fiquei ainda mais curiosa!
    Adorei a sua foto, sua make e sua resenha <3

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  8. quando a darkside anunciou esse lançamento eu fiquei super empolgado para conhecer essa história. Até hoje nunca comprei o quadrinho hahahaha com sua resenha fiquei mais empolgado para ler <3 amei a foto *-*

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  9. A história dessa Graphic Novel, que mescla violência e poesia, me chama muito a atenção justamente nessa mistura de sensações. Mas, principalmente, por me lembrar da trágica história do filme, com o filho de Bruce Lee. A edição da Darkside está lindíssima! Parabéns pela apresentação da obra! Está muito bonito o trabalho!

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