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Resenha: O escravo de capela - Marcos DeBrito

Livro: O escravo de capela
Autor: Marcos DeBrito
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Nota:⭐⭐⭐⭐

Sinopse

Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore. Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em o Escravo de Capela, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.



Minha opinião

Já comentei com vocês que o Marcos DeBrito foi um autor revelação que me surpreendeu em 2019 e a cada obra que leio dele isso só se afirma.

Em O escravo de capela retornamos para a época escravocrata. Marcos DeBrito, apesar de trazer o toque sobrenatural para o enredo, consegue mais uma vez trazer o pior do ser humano, investindo em descrições de cenas com requinte de crueldade, conseguindo chocar o leitor como deveria.

Confesso que por se passar no período escravocrata e falar tanto das punições que os escravos sofriam, o início foi bem difícil para mim, mas uma vez que você vê o enredo se desenvolvendo entende o porquê de tudo aquilo. Claro que é lamentável saber que é tudo inspirado em uma época bem real, mas o desenrolar e a forma como o autor traz um tema tão forte para um livro de ficção dá para ver que além de fazer muita pesquisa, ele também procurou ser muito respeitoso à história.

"O instrumento, preso com um cadeado na parte de trás, escondia todo o seu rosto. Pequenos orifícios na direção dos olhos lhe permitiam enxergar apenas o suficiente para marchar sem cair ao chão, mas não o impediam de tropeçar nas pedras. O formato afunilado era para abrigar o nariz do coitado que a vestisse e furos acanhados na extremidade impediam um homem de morrer sufocado."

O que falar sobre a adição de elementos folclóricos? Era algo que eu realmente não esperava porque eu não leio nem sinopses antes de ler um livro, mas que caiu como uma luva no enredo! Impressionante como tudo se encaixou!

Marcos De Brito trouxe um terror de qualidade, muito bem elaborado e escrito e diferente de tudo que já li na vida! Mais do que recomendado!

E o debate foi simplesmente incrível! Pudemos contar com a presença do autor no grupo do Faroníacos no telegram e tirar várias dúvidas sobre a obra, o que só me deixou mais encantada ainda. Aprendi muito sobre vários detalhes que eu havia deixado passar batido.

Palavras do autor no debate: "Eu quis trazer essa ambiguidade, digamos assim. Os brancos, eles tinham o poder na mão e perpetravam horrores para os escravos que sofriam, enquanto eles, tipo num imaginário, criaram uma figura sobrenatural para enfrentar o verdadeiro horror. O terror real X o terror sobrenatural."

Você pode adquirir aqui.

Por Amanda Rocha


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