Entrevista com o autor D.A. Potens


Esse mês reservamos para falar dos nossos autores parceiros e embora tenhamos parceria em um livro específico do D.A. Potens e não uma parceria fixa com o autor, ele é um autor que temos muito carinho.
Por isso, trouxemos hoje uma entrevista que fizemos com ele, que se destaca por suas obras de horror e dark fantasy.
Se quiser conhecer ainda mais do autor, já falamos de duas obras dele aqui no blog: O Culto e Oneiros (parceria).


De onde surgiu o amor pela literatura fantástica e suas ramificações?

Minha paixão por histórias fantásticas e de terror, horror e afins não surgiu necessariamente da literatura, mas sim de animes, mangás e filmes como Sexta-feira 13, O Massacre da Serra Elétrica e outros filmes “leves” que eu assistia desde criança. Contudo, indico como causa primária da minha loucura o contato com animes como Cavaleiros do Zodíaco, Tenshi Muyo, Yu Yu Hakusho e Dragon Ball, que estimularam minha mente de tal maneira, que não pude deixar de começar a criar histórias com bonecos, origamis e massinhas que por muitas vezes duravam meses para ganharem um término sobre um tapete da Turma da Mônica que eu estendia sobre a garagem da minha casa. Costumo dizer que esse ímpeto de criar enredos evoluiu com o decorrer dos anos, e com a maturidade houve um momento em que eu não poderia mais dar vida a tantos personagens com objetos infantis e, neste tempo, fui atraído pela arte das palavras, cujo início se deu com uma história chamada Magic Four, muito mal escrita, por sinal, pelas mãos de um adolescente de 14 anos, mas que representou o início do que sou hoje. Naquele tempo, D.A. Potens sequer pensava em existir e resumia sua imaginação à criação de histórias de fantasia. 


Quais autores você considera como inspiração e influência nas criações de seus trabalhos?

Considero como influência Augusto Cury, um psiquiatra famoso no tocante a lançamentos de livros tidos como de “autoajuda”, mas de cujo conteúdo eu considero de extrema importância. No enquanto, eu não costumo ter referências, muito menos ídolos, pois assim como Clarice Lispector disse em uma de suas entrevistas, eu só consumo os livros que surgem pela frente e me agradam sem a necessidade sequer de saber quem os escreveram. Eu simplesmente leio e deixo-me levar pelas histórias. Se não gostei, deixo de lado e a vida segue. 


Você se identifica com algum dos seus personagens? Por quê?

Como autor, eu acredito que cada personagem faz parte da minha personalidade, cada qual representando um temperamento, uma emoção, um ideal, uma reflexão, uma alegria, uma tristeza e assim por diante. Por isso, me identifico com todos meus personagens, pois eles não existiriam sem que eu colocasse um pedaço de mim neles. Sei que alguns autores costumam se isentar dessa representação, mas eu prefiro dizer que eu sou todos a fingir que tudo que sai de mim simplesmente nasceu de uma mera observação sobre a sociedade em que vivo. Contudo, para especificar o personagem com que eu mais me identifico, digo que o público ainda não o conheceu, pois ele ainda está sendo criado no romance principal do meu universo literário chamado “O Culto”, com o livro Encarnação do Mal. (risos) Não sou maligno, ouviu? Só um pouquinho.  


Autores possuem maneirismos, ritmos de escrever e influências. Se nós, leitores, pudéssemos ver o processo de escrita de D.A Potens, que tipo de costumes e manias veríamos?

Se pudessem, veriam um escritor maluco em frente a um computador, digitando páginas e mais páginas do que ele chama de “essência da história”: um arquivo que contém toda a premissa, a origem e as influências de suas novelas e romances. Costumo fazer isso após receber um “estalo mental” com alguma ideia absurda. Geralmente esses insights costumam surgir em lugares inesperados, como no metrô, no ônibus ou no banheiro. Mas também são tidos na hora em que eu coloco os dedos sobre o teclado, partindo de algum tópico ou tema que aprecio. 
No tocante a maneirismos e ritmo, não sigo nenhum parâmetro milimetricamente calculado. Deixo a imaginação me levar e quando presto atenção, já criei alguma loucura envolvendo cabras, seitas, monstros, entidades, divindades e afins. Já em relação a manias, tenho costume de colocar uma entidade diferente, influenciado por alguma mitologia que já estudei, no meio das histórias. Por eu ter uma inclinação espiritual muito forte, gosto de abordar coisas que vêm do mundo astral e do ocultismo. 


Suas novelas e romances possuem a mistura de fantasia e mundo real. Ao ler, vemos que as duas partes conversam durante todo tempo entre si. De onde e como surgiu sua inspiração para essa união tão verossímil?

Minha inspiração parte de três coisas: o estudo das religiões, o amor pelas mitologias de todo mundo e a crença em mundos que estão além do nosso. Nasci em berço católico, porém, minha família sempre teve um pé na espiritualidade. Vendo-a frequentar diversos tipos de cultos, desde a evangélica até a messiânica, misturado com meu amor por lendas e mitos, criei em minha mente um multiverso onde qualquer divindade pode existir mesmo diante da presença de Deus Todo Poderoso. É uma peculiaridade minha e às vezes costumo devanear sobre quantas entidades envolvem nós, humanos, e quantas possibilidades estão disponíveis após a morte. 
Deuses, demônios, entidades e divindades existem? Talvez algumas delas morem na casa de quem está lendo essa entrevista, compartilhe sua comida, sua bebida, seus sentimentos, e você não esteja nem aí para a existência delas em camadas infradimensionais em relação à nossa. Resumindo, eu sou maluco. (risos)


D.A. Potens, agradeço muito sua disponibilidade e apoio em responder as perguntas do Sobre a Leitura. Por favor, deixe suas considerações finais aos leitores que assim como eu, adoraram ter pesadelos com suas criações.

Aos leitores deixo meus agradecimentos e um convite para conhecer minha nova novela de terror, dessa vez onírico, chamada Oneiros, que conta a história de Michaela, uma investigadora da polícia que se mete em um caso sobrenatural envolvendo pessoas de olhos chamuscados por forças além da compreensão humana. Para quem curte terror e mitologia grega é um prato cheio. 

É isso, leitores, espero que tenham gostado da entrevista. Foi um prazer contar com a colaboração do Potens e ótimo entender um pouco mais dessa mente criativa.

Potens está com um projeto novo com outros autores que será lançado no Dia das Bruxas/Halloween (mais propício impossível). O projeto se chama Carnificina, possui histórias de terror e horror em contos de mais de 10 autores e parece está bem assustador e cruel, claro. 


Caso queiram adquirir as obras do autor, você pode adquiri-las aqui. Lembrando que elas são gratuitas para quem tem Kindle Unlimited. Aproveitem!

Por Amanda Rocha, João Marcos e Priscila Biancardi

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