Resenha: Ozob - Protocolo Molotov

Livro: Ozob - Protocolo Molotov
Autor: Leonel Caldela e Deive Pazos
Editora: Nerdbooks
Páginas: 420
Nota: 5/5


Sinopse


O futuro chegou. E é pior do que os nossos pesadelos.


O século 22 é uma época escura, feita de cibernética, inteligências artificiais, megacorporações que controlam os governos, redes sociais onipresentes, gangues e violência. No centro de tudo, uma metrópole se ergue em plataformas sucessivas, com prédios que se elevam acima das nuvens.
Construída sobre o que já foi Nova York, Delta City abriga as maiores corporações e milhões de habitantes. Mas, nas ruas sob as plataformas, a Cidade Baixa é o lar de criminosos, miseráveis e escória. O lar de Ozob.
Ozob, um construto genético encomendado por uma corporação, feito à imagem da mente insana de seu criador. Perseguido por seus irmãos sanguinários, só tem mais dois anos de vida. Para ele, nenhum minuto pode ser desperdiçado.
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Minha opinião


Só uma palavra é capaz de descrever Ozob - Protocolo Molotov: Escárnio.
A escrita de Leonel Caldela e a co-autoria de Deive Pazos (O Azaghal, do site Jovem Nerd) funcionam como uma química explosiva no qual o único resultado é o caos gerado por Ozob, um replicante, albino, com uma granada no lugar do nariz.
Ozob é um replicante, um humano melhorado, com data de validade que é proibido na Terra. Seis meses depois do seu ‘‘nascimento’’, ele está fugindo de Blade Runners quando conhece uma banda de punk rock guerrilheira chamada War Rodies composta por: Califórnia, a especialista em computadores e líder da banda, Johnny Molotov, guitarrista e a brutamontes Vivika. O livro mantém flashbacks frequentes do passado de Ozob, mostrando ao leitor uma vida de miséria em colônias espaciais, rotina exaustiva de trabalho e convivência quase mortal com seus três irmãos e seu pai.
Okay, João, mas o que esse livro tem de especial?
Primeiro, deixe-me falar do autor. Leonel Caldela é um sujeito sem escrúpulos quando o assunto é narração, um sujeito tão explosivo e miserável como Ozob encontrou o escritor perfeito para expor seu mundo: canibalismo, tortura, mutilação, pancadaria franca, uso de drogas, escravidão, cárcere privado, estupro, abuso psicológico, opressão capitalista em níveis inimagináveis, tudo isso descrito do jeito mais real possível.
Quanto ao livro, este é recheado de teorias de conspiração dos anos 80. McDonald's e a carne que faz com que as pessoas fiquem viciadas em comer mais lixo e até os membros do Clube dos 27 fazem uma aparição especial (devo dizer que ler Ozob, Hendrix e Cobain batendo um papo em uma viagem de ácido foi uma das melhores cenas que já li). Ramones, Sex Pistols, Bad Religion, Dead Kennedys, L7, todas essas bandas dão título a cada capítulo dessa história incrível. O livro ainda conta com várias referências à TV Aberta dos anos 80 que fica muito chato se eu revelar todas, descubra-as!
A cereja vermelha e explosiva do livro é, claro, Ozob. Se você cresceu vendo aqueles brucutus de filmes de ação, vai adorar o palhaço albino. Ozob é aquele anti-herói que explode (literalmente) tudo em seu caminho com uma dose extrapolada de sarcasmo, além de não ter medo de cair na porrada com qualquer um que desejar uma boa briga, afinal, o outro cara vai ficar pior, mas uma questão permeia a mente de Ozob: o que você faria se tivesse apenas meses de vida? Mas um grande anti-herói não é nada sem um inimigo pior que ele. O grande adversário de Ozob é cruel, psicótico, sádico e você vai adorar odiá-lo a cada aparição.
Em suma, Ozob: Protocolo Molotov é um culto aos anos 80.
Ainda tenho que responder se ele vale a pena? Acredito que não, "babaca"!


Por João Marcos

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