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Resenha: Revival - Stephen King

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Livro: Revival
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 376
Nota: 5/5


Sinopse

Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra (EUA), mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que "reviver" pode adquirir vários significados.
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Minha opinião


"Alguma coisa aconteceu"

Esse foi meu terceiro livro lido do King, o ganhei da outra redatora aqui do blog, e a gente começa a identificar as características do autor.
Stephen King é conhecido por enrolar em suas histórias até chegar ao ápice delas, ou seja, ele não te deixa desvendar trama até que ele queira. O livro, apesar de mostrar muito da vida do protagonista, de forma alguma é enrolado ou tedioso. Tudo se conecta e te faz pensar que a história está tomando um rumo, quando na verdade ela está te desviando do real final que, honestamente, é muito mais surpreendente e impressionante que qualquer possível coisa que você tenha imaginado.
O livro é recheado de citações de músicas, referências à outros livros do autor (como ele sempre faz) e menções sobre outros autores. Em breve trarei um post com a playlist do livro e todas essas menções aqui. Por fim devo dizer que ler Stephen King tem sido uma experiência maravilhosa, espero que vocês também tenham a oportunidade de conhecer seu trabalho e gostem tanto quanto eu.

Caso queiram comprar, o menor preço do livro hoje está R$ 31,90. Você o acha por esse preço aqui na Americanas ou na Amazon.


Por Amanda Rocha

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Seleção de livros em promoção - Amazon

Oi pessoal! Vamos começar a divulgar algumas promoções de livros aqui também. Hoje escolhemos dez dos livros mais vendidos segundo o site da Veja e alguns boxes que estejam mais baratos na Amazon. Costumo indicar a Amazon porque confio no trabalho deles e porque a entrega é muita rápida! Mas depois indicaremos promoções em outras lojas também. Além disso, agora somos afiliados da Amazon e a compra de vocês pelos nossos links nos ajuda a cada vez mais trazer muito conteúdo legal pra cá e mais sorteios, claro. Para ser direcionado, é só clicar na imagem com a capa do livro. Lembrando que como em qualquer loja, as ofertas são por tempo limitado.


É assim que acaba - Colleen Hoover - R$ 34,17


Textos cruéis demais pra serem lidos rapidamente - R$ 31,40



Ainda sou eu - Jojo Moyes - R$ 24,90



Depois  de você - Jojo Moyes - R$ 13,90



Como eu era antes de você - Jojo Moyes - R$ 13,90



Me chame pelo seu nome - Aciman André - R$ 28,00



A revolução dos bichos - George Orwell - R$ 19,90



It (A coisa) - Stephen King - R$ 51,70



Mitologia nórdica - Neil Gaiman - R$ 24,90



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Extras: Boxes


Box trilogia 50 tons de cinza - R$ 59,20



Box As mil e uma noites - R$ 35,90



Box Jo Nesbo - R$ 76,50



Espero que tenham gostado da seleção. Até a próxima!


Por Amanda Rocha

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4 séries baseadas em livros

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Hoje viemos falar um pouco sobre séries inspiradas em livros, preferimos séries não tão conhecidas pra trazer novidade pra vocês. Falaremos sobre séries que podem ser encontradas na Netflix ou Amazon prime video pra que vocês possam conferi-las. Provavelmente mais a frente traremos mais séries baseadas em livros uma vez que, para nossa felicidade, esse tipo de adaptação tá sendo cada vez mais recorrente.


Dirk Gently's Holistic Detective Agency) 2016 - 2017)


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"Tudo está conectado"


Baseada no livro homônimo do autor Douglas Adams (famoso pelo "O guia do mochileiro das galáxias"). A série de ficção científica cômica é protagonizada por Samuel Barnett (O advogado Bob em "O destino de Júpiter") e Elijah Wood (O Frodo de "O senhor dos anéis") e tudo que eu posso acrescentar é que é uma série diferente de qualquer coisa que você já assistiu e que apesar de ter sido cancelada com apenas duas temporadas vale a pena conferir. A série é original da BBC em parceria com a Netflix.


The mist (2017)


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A série é baseada em um conto do autor Stephen King, "O nevoeiro", presente no livro "Tripulação de esqueletos". O conto é tão famoso que conta com uma adaptação para o cinema também. A trama é cheia de suspense e reviravoltas, assim como qualquer livro do autor, e apesar da adaptação ser diferente do livro e contar com apenas uma temporada, a atuação da atriz Frances Conroy (famosa por "American Horror Story") já faz valer a pena. A série é original da Netflix e também conta com Alyssa Sutherland (A Aslaug de "Vikings").


Electric dreams (2017 - ?)


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A série é original da Amazon Prime Video e baseada no livro homônimo do autor Philip K. Dick. Por ser inspirada em vários contos presentes no livro, a série de ficção científica, tem o formato parecido com o de "Black Mirror", no qual os episódios não são interligados  podendo serem assistidos fora de ordem. Ainda não se sabe se haverá uma segunda temporada dela. A série conta com atores renomados como Vera Farmiga (A Lorraine Warren dos filmes de Invocação do mal), Anna Paquin (A vampira de alguns filmes dos X-men) e Bryan Cranston (o famoso Heisenberg/Walter White de "Breaking Bad").


American Gods (2017 - atual)


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A série de drama e fantasia foi inspirada no livro homônimo do autor Neil Gaiman. É uma série original da Amazon Prime Video, já foi confirmado que terá uma segunda temporada dela e conta com nomes como Ian McShane (o Barba Negra de "Piratas do Caribe") e Emily Browning (A Violet do filme "Desventuras em série").


Por Amanda Rocha 

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Especial Edgar Allan Poe: Seleção de contos - parte 2

Dando continuação a seleção de contos favoritos do Edgar Allan Poe, hoje trouxemos o conto "Nunca aposte sua cabeça com o diabo", de 1841.


Nunca aposte sua cabeça com o diabo


“Con tal que las costumbres de un autor” — diz D. Tomás de las Torres, no prefácio de seus Poemas Amorosos —, “sean puras y castas, importa muy poco que no sean igualmente severas sus obras”, querendo dizer, em puro inglês, que, contanto que seja pessoalmente pura a moral de um autor, nada significa a moral de seus livros. Achamos que D. Tomás se encontra agora no Purgatório, por causa dessa afirmativa. Seria também coisa inteligente, no que concerne à justiça poética, conservá-lo ali, até que seus Poemas Amorosos saiam do prelo ou sejam definitivamente abandonados nas estantes por falta de leitores. Toda obra de ficção deveria ter uma moral; e, o que vem mais a propósito, os críticos já descobriram que toda ficção a tem. Filipe Melanchton escreveu, há algum tempo, um comentário sobre a Batraquiomiomaquia e provou que o objetivo do poeta era suscitar o desgosto pela sedição. Pierre La Seine, dando um passo mais adiante, mostra que a intenção era recomendar aos jovens a temperança no comer e no beber. Da mesma forma, também, Jacobus Hugo se convenceu de que, com Euenis, queria Homero insinuar a figura de João Calvino; com Antinous, a de Martinho Lutero; com os Lotófagos, os protestantes, em geral, e com as Hárpias, os holandeses. Nossos mais modernos escoliastas são igualmente agudos. Esses sujeitos demonstram a existência de um significado oculto em Os Antediluvianos, de uma parábola em, Powhatan, de novas intenções em O Pintarroxo e de transcendentalismo em O Pequeno Polegar. Em resumo, ficou demonstrado que nenhum homem pode sentar-se a escrever sem uma profundíssima intenção. Dessa forma, poupa-se em geral muita perturbação aos autores. Um romancista, por exemplo, não precisa ter cuidado com a sua moral. Ela está ali, isto é, está em alguma parte, e a moral-e os críticos podem tomar conta de si mesmos. Chegado o tempo próprio, tudo o que o cavalheiro tencionava, e tudo o que ele não tencionava, será trazido à luz no Dial ou no Down Easter, juntamente com tudo o que ele devia ter tencionado e o resto que ele claramente pretendia tencionar; de modo que tudo dará certo no fim.
Não há razão, por consequência, para o ataque contra mim lançado por certos ignorantes, por eu nunca ter escrito um conto moral ou, em termos mais precisos, um conto com uma moral. Não são eles os críticos predestinados a me pôr em cena ou a desenvolver a minha moral: este é o segredo. A propósito, o North American Quarterly Hundrum fá-los-á envergonharem-se de sua estupidez. Entrementes, a fim de protelar a execução, a fim de mitigar as acusações contra mim, ofereço a triste estória junta, uma estória acerca de cuja evidente moral não poderá haver discussão alguma, desde que aquele que a procura possa lê-Ia nas letras garrafais que formam o título do conto. Eu mereceria aplausos por esse arranjo, bem mais inteligente que o de La Fontaine e de outros, que transferem o conceito até o último instante e assim o levam disfarçadamente até o cansativo fim de suas fábulas.
Defuncti injuria ne officiantur era uma lei das doze tábuas e De Pnortuis nil nisi bonum é uma excelente injunção, mesmo que o morto em questão não passe de um defunto joão-ninguém. Não é minha intenção, porém, vituperar meu falecido amigo Toby Dammit. Era um pobre-diabo que vivia como um cão, é verdade, e foi de uma morte de cão que morreu; mas não era digno de censura por causa de seus vícios.
Procederam duma deficiência natural da mãe dele. Ela fez o que pôde para castigá-lo, enquanto ainda pequeno, porque os deveres para sua. bem ordenada mente eram sempre prazeres, e as crianças, como as postas de carne dura ou as modernas oliveiras gregas, são as melhores de se bater. Porém, pobre mulher!, tinha a desgraça de ser canhota e uma criança surrada canhotamente o mais que podia ficar era canhotamente impune. O mundo gira da direita para a esquerda. Não se deverá, pois, açoitar uma criança da esquerda para a direita. Se cada golpe, na direção própria, lança fora uma má propensão, segue-se que cada pancada, numa direção oposta, soca para dentro sua parte de maldade. Estive muitas vezes presente aos castigos de Toby e, mesmo pelo modo com que era escoiceado, podia perceber que ele se estava tornando cada vez pior, dia a dia. Afinal vi, com lágrimas nos olhos, que não havia quase esperança alguma a respeito do velhaco, e um dia, quando fora ele surrado até ficar de cara tão preta que poderia ser tomado como um africaninho e nenhum efeito se produzira, a não ser o de fazê-lo retorcer-se até desmaiar, não pude mais conter-me e, caindo de joelhos imediatamente, ergui a voz para profetizar a sua ruína.
O fato é que a sua precocidade no vício era espantosa. Aos cinco meses de idade costumava enfurecer-se de tal sorte que ficava incapaz de gritar. Aos seis meses surpreendi-o mordendo um baralho de cartas. Aos sete meses tinha o hábito de agarrar e beijar os bebês fêmeas. Aos oito meses recusou-se peremptoriamente a pôr sua assinatura: num compromisso de Temperança. Assim continuou a crescer em iniquidade, mês após mês, até que, ao termo de seu primeiro ano, não somente teimou em usar bigodes, mas contraíra uma tendência a praguejar e blasfemar e a apoiar suas afirmativas por meio de apostas.
Foi em consequência desta última prática, nada cavalheiresca, que a ruína que eu havia predito a Toby Dammit alcançou-o afinal. O costume tinha "crescido com o seu crescimento e se fortificado com sua força", de modo que, quando se fez homem, dificilmente podia enunciar uma frase sem intercalá-la com uma proposta de jogo a dinheiro. Não que ele realmente fizesse apostas, não. Farei ao meu amigo a justiça de dizer que seria para ele mais fácil botar ovos. Com ele aquilo era uma simples fórmula, nada mais. Suas expressões neste particular não tinham significação alguma apropriada. 'Eram simples -se não mesmo inocentes expletivas —, frases imaginativas com que arredondar um período. Quando ele dizia: "Aposto com você isso e aquilo", ninguém jamais pensava em tomar a palavra ao pé da letra; contudo não podia eu deixar de pensar que era meu dever reprimi-lo. Aquele hábito era imoral e isso mesmo lhe disse. Era uma coisa muito vulgar, pedi-lhe eu que acreditasse. Era desaprovado pela sociedade... e aqui não disse senão a verdade. Era proibido por um decreto do Congresso... não tinha eu aqui a mínima intenção de dizer uma mentira. Admoestei-o... mas tudo em vão. Provei... mas inutilmente. Roguei... ele sorriu. Implorei... ele riu. Preguei... ele escarneceu. Ameacei... ele descompôs. Bati-lhe... chamou a polícia. Quebrei-lhe o nariz... assoou-se e apostou sua cabeça com o diabo que eu não ousaria tentar de novo a experiência.
A pobreza era outro vício que a típica deficiência física da mãe de Dammit tinha imposto a seu filho. Ele era detestavelmente pobre, e essa era, sem dúvida, a razão de tomarem suas expressões expletivas de apostas, raramente, o aspecto pecuniário. Não tenho dificuldade em afirmar que jamais o ouvi empregar uma linguagem como esta: "Apostarei um dólar com você." Dizia habitualmente; "Apostarei o que você quiser", ou "Apostarei o que você tiver coragem", ou "Apostarei com você uma bagatela", ou mesmo, mais significativamente ainda, "Apostarei minha cabeça com o diabo".
Esta última fórmula parecia agradar-lhe mais, talvez porque envolvesse menos risco, pois Dammit se havia tornado excessivamente parcimonioso. Tivesse-o alguém pegado pela palavra, como sua cabeça era pequena, sua perda seria também pequena. Mas estas são reflexões minhas e não posso absolutamente garantir que esteja certo no atribuí-Ias a ele. Em todo o caso, a frase em questão aumentava diariamente de predileção, não obstante a grande impropriedade de apostar um homem seus miolos como se fossem notas de banco, mas este era um ponto que a perversidade de ânimo de meu amigo não lhe permitia compreender. Por fim, abandonou ele todas as outras formas de aposta e entregou-se inteiramente à "Apostarei minha cabeça com o diabo", com uma pertinácia e exclusividade de devoção que me desagradava não menos do que me surpreendia. Sempre me desagradam as circunstâncias com que não posso contar. Os mistérios obrigam a gente a pensar e dessa forma fazem mal à saúde. A verdade é que havia qualquer coisa no ar com que o Sr. Dammit costumava exprimir sua ofensiva frase, algo na sua maneira de enunciá-la que, a princípio, me interessou, mas depois me deixava muito mal à vontade; algo que, à falta dum termo mais preciso no momento, deve ser permitido chamar de esquisito --mas que o Sr. Coleridge teria chamado de místico, o Sr. Kant panteístico, o Sr. Carlyle evasivo e o Sr. Emerson hiperexcêntrico. Comecei por não gostar daquilo absolutamente. A alma do Sr. Dammit achava-se em perigosíssimo estado. Resolvi pôr em jogo toda a minha eloquência para salvá-la. Fiz votos de servi-lo, como S. Patrício, na crônica irlandesa, diz-se que servira o sapo, isto é, "despertou-o para o sentido de sua situação". Pus mão à tarefa imediatamente. Mais uma vez entreguei-me à admoestação. Depois coligi minhas energias para uma tentativa final de censura amigável.
Terminada minha preleção, o Sr. Dammit entregou-se a um procedimento um tanto equívoco. Por alguns instantes permaneceu em silêncio, olhando-me simplesmente, de modo indagador, para o rosto. Mas depois lançou a cabeça para um lado e elevou as sobrancelhas o mais que pôde. Em seguida espalmou as mãos e encolheu os ombros. Depois piscou o olho direito. Depois repetiu a operação com o esquerdo. Depois fechou bem os dois. Depois arregalou-os ambos, de tal maneira que comecei a ficar seriamente alarmado com as consequências. Depois, aplicando o polegar ao nariz, achou por bem fazer um indescritível movimento com o resto dos dedos. Finalmente, pondo as mãos nos quadris, condescendeu em responder. Posso lembrar-me apenas dos pontos principais do que ele disse. Ficar-me-ia agradecido se eu contivesse minha língua. Não queria saber de conselhos meus. Rejeitava todas as minhas insinuações.
Tinha bastante idade para cuidar de si mesmo. Pensava eu que ele era ainda o bebê Dammit? Era intenção minha dizer qualquer coisa contra seu caráter? Pretendia insultá-lo? Era eu um maluco? Seria minha mãe conhecedora, em suma, de minha ausência do domicílio? Fazia-me esta última pergunta como a um homem de verdade, e se obrigaria a voltar para casa de acordo com a minha resposta. Mais uma vez perguntava, explicitamente, se minha mãe sabia que eu estava fora. Minha confusão -disse ele -me traía, e apostaria sua cabeça com o diabo que ela não sabia.
O Sr. Dammit não parou para que eu replicasse. Dando volta nos calcanhares, saiu de minha presença, com indigna precipitação. Foi bem que assim fizesse. Meus sentimentos tinham sido magoados. Até mesmo minha cólera havia despertado. Por uma vez sequer teria tomado a sério sua insultante aposta. Teria ganho para o arqui-inimigo a pequena cabeça do Sr. Dammit, pois minha mãe estava bem ciente de minha ausência, simplesmente temporária, de casa.
Mas Khoda shefa midehed — "o céu dá remédio" — como dizem os muçulmanos quando a gente lhes pisa nos pés. Fora no prosseguimento do meu dever que havia sido insultado e suportei o insulto como um homem. Parecia-me, agora, porém, que eu havia feito tudo quanto se podia exigir de mim no caso daquele miserável indivíduo e resolvi não mais incomodá-lo com meus conselhos, mas deixá-lo entregue a si mesmo e à sua consciência. Mas embora me abstivesse de intrometer meus conselhos, não lograva desligar-me totalmente de sua companhia. Fui ao ponto de acomodar-me a algumas de suas menos repreensíveis tendências e vezes houve em que me achei elogiando seus perversos gracejos (como fazem os epicuristas com a mostarda, com lágrimas nos olhos), tão profundamente me afligia ouvir sua conversa depravada.
Um belo dia, tendo saído a passear juntos, de braços dados, nosso caminho nos levou à direção de um rio. Havia uma ponte e resolvemos atravessá-la. A ponte estava coberta, protegida contra as intempéries, e a passagem abobadada, com poucas janelas, era por isso incomodamente escura. Ao penetrarmos na passagem, o contraste entre o brilho exterior e a escuridão interna chocou-se pesadamente contra meu espírito. O mesmo não aconteceu ao infeliz Dammit, que se prestara a apostar com o diabo a cabeça, que eu havia desancado. Mostrava-se ele dum bom-humor incomum. Estava excessivamente animado, tanto que passei a considerar que havia um não sei quê de incômoda suspeita. Não era impossível que estivesse ele afetado por algo de transcendental. Não sou bastantemente versado, porém, no diagnóstico dessa doença, para falar com segurança a respeito do assunto. E infelizmente não se achava ali presente nenhum de meus amigos do Dial. Sugiro a ideia, não obstante, por causa de certas espécies de austera bufonaria que pareciam dominar meu pobre amigo, forçando-o a portar-se como um palhaço de si mesmo. Nada o satisfazia senão mover-se e saltar em redor, acima e abaixo de tudo quanto encontrava em seu caminho, ora gritando, ora ciciando toda casta de estranhas palavras, grandes e pequenas, conservando, no entanto, todo o tempo o rosto mais grave do mundo. Na realidade, não sabia se deveria dar-lhe pontapés ou ter piedade dele. Afinal, tendo quase atravessado a ponte, aproximávamos-nos do termo do caminho para pedestres, quando fomos barrados por um torniquete de certa altura. Passei por ele sossegadamente, fazendo-o girar como de costume. Mas essa volta não servia ao Sr. Dammit. Teimou em pular o torniquete e disse que poderia saltar por cima dele, de pés juntos no ar.
Ora, isso, conscientemente falando, não achava eu que ele pudesse fazer. O melhor saltador de pés juntos, em todos os estilos, era meu amigo o Sr. Carlyle, e como eu sabia que ele não podia fazê-lo, não acreditava que Toby Dammit o fizesse. Por isso lhe disse, em breves palavras, que ele era um fanfarrão e não podia fazer o que dizia. Razão tive depois de me entristecer disso, porque ele imediatamente se ofereceu a apostar sua cabeça com o diabo como o faria.
Estava a ponto de replicar, não obstante minhas anteriores resoluções, com certa rispidez, contra sua impiedade, quando ouvi, bem perto de meu cotovelo, uma leve tosse que soou bem parecida com a pronúncia da interjeição "ei!". Dei um pulo e olhei em torno de mim com surpresa. Meu olhar caiu afinal sobre um canto da armação da ponte e sobre a figura de um velhinho coxo, de venerável aspecto. Nada poderia ser mais reverenda que toda a sua aparência, pois não somente usava um terno preto, mas sua camisa era irrepreensivelmente limpa e o colarinho caía-lhe bem polido sobre uma gravata branca. O cabelo tinha-o repartido ao meio, como o de uma moça. Suas mãos estavam entrelaçadas reflexivamente sobre o estômago e os olhos cuidadosamente erguidos para o alto.
Observando-o mais atentamente, notei que usava um avental de seda preta sobre os calções, coisa que achei bastante estranha. Antes, porém, que tivesse tempo de fazer qualquer reparo a respeito de tão singular circunstância, ele me interrompeu, com um segundo "ei!".
Eu não estava imediatamente preparado para replicar a essa segunda observação. O fato é que advertências de tão lacônica natureza são quase irrespondíveis. Sei de uma revista trimestral que foi emudecida com a palavra "Palavrório!". Não me envergonho de dizer, portanto, que me voltei para o Sr. Dammit a pedir auxílio.
— Dammit — falei —, que é que você fez? Não ouve o cavalheiro dizer "ei!"?
Olhei desabridamente para meu amigo, enquanto assim me dirigia a ele; porque, para falar verdade, eu me sentia particularmente perplexo, e quando um homem está particularmente perplexo deve franzir as sobrancelhas e parecer selvagem; de outro modo, pode estar perfeitamente certo de que parecerá um louco.
— Dammit! — continuei (isso soava, entretanto, mais como uma praga, coisa que estava mais longe do que tudo do meu pensamento).(2) Dammit — acrescentei —, este cavalheiro está dizendo "ei!".
Não tento defender minha observação com relação à sua profundeza; nem eu mesmo a considerei profunda; mas notei que o efeito de nossas palavras nem sempre é proporcional a sua importância a nossos próprios olhos. Se eu tivesse lançado ao Sr. Dammit, de modo completo, uma bomba de Paixhans (3), ou se lhe tivesse atirado à cabeça o Poetas e Poesia da América (4), ele mal poderia ter ficado mais desconcertado do que quando me dirigi a ele, com estas simples palavras: "Dammit! Que é que você faz? Não ouve o cavalheiro dizer "ei!"?"
— Que é que você diz? — arquejou ele, afinal, depois de mudar mais de cores do que o faria um pirata, uma depois da outra, quando perseguido por um navio de guerra. -Você tem absoluta certeza de que ele disse "isso"? Bem, afinal de contas eu estou metido nisso agora e muito bem podemos enfrentar o caso a frio. Lá vai, então... "ei"!
Aí o velho sujeitinho parecia satisfeito, só Deus sabe por quê. Deixou seu lugar no canto da ponte, coxeou para frente com gracioso ademane, pegou da mão de Dammit e sacudiu-a cordialmente, olhando-o todo o tempo, fixamente, no rosto, com o aspecto da mais inalterada benignidade que é possível ao espírito do homem imaginar.
— Estou completamente certo de que você ganhará, Dammit — disse ele, com o mais franco de todos os sorrisos —, mas somos obrigados a fazer uma experiência, você sabe, por simples formalidade.
— Ei! — replicou meu amigo, tirando o paletó, com profundo suspiro, amarrando um lenço em torno da cintura e produzindo uma indizível alteração no seu aspecto, com fazer-se zarolho e abaixar os cantos da boca. — Ei! e ei! — disse ele de novo, depois de uma pausa, e nenhuma outra palavra além de "ei!", ouvi-o eu dizer mais depois disso.
— Ah! — pensei eu, sem exprimir-me em voz alta. — Este silêncio é completamente extraordinário da parte de Toby Dammit, e não é mais do que consequência de sua verbosidade em ocasião anterior. Um extremo induz a outro. Ter-se-ia ele esquecido das numerosas perguntas irrespondíveis que me propôs tão fluentemente no dia em que lhe fiz a minha última preleção? Afinal de contas, está ele curado de seu transcendentalismo.
— Ei! — aqui replicou Toby, justamente como se tivesse estado lendo meus pensamentos e parecendo um velho carneiro a devanear. O velhote agarrou-o então pelo braço e levou-o mais para dentro da escuridão da ponte, poucos passos além do torniquete.
— Meu bom amigo — disse ele —, faço questão de lhe dar distância. Espere aqui, até que eu tome lugar junto ao torniquete, de modo que possa ver se você pula por cima dele, bela e transcendentalmente, e não omite nenhum dos floreios do pulo de pés-juntos.
Simples formalidade, como você sabe. Eu direi — um, dois, três e... "larga!". Preste atenção! Corra quando ouvir a palavra "larga!". Então tomou posição junto do torniquete, parou um instante como se estivesse em profunda reflexão, depois olhou para cima e, pensei eu, sorriu mui de leve; em seguida, agarrou os cordéis do avental, lançou depois um longo olhar para Dammit e, finalmente, pronunciou as palavras combinadas:
— One... two... three... e... away! (5) Pontualmente, ao ouvir a palavra "larga!", o meu pobre amigo lançou-se em impetuoso galope. O estilo do salto não foi muito alto como o do Sr. Lord,s nem também muito baixo como o dos críticos do Sr. Lord; mas, no conjunto, posso assegurar que ele se sairia bem. E que sucederia se ele não o fizesse? Ah, essa era a questão! Que sucederia?
— Que direito — disse eu — tinha o velhote de obrigar qualquer outro cavalheiro a pular? Aquele velho manquitola! Quem era ele? Se me pedisse para pular, eu não o faria, está claro, e não me importava que diabo fosse ele.
A ponte, como eu disse, era abobadada e coberta de maneira muito ridícula, tendo sempre um eco muito incômodo, um eco que eu nunca antes observara tão particularmente como quando pronunciei as quatro últimas palavras de minha observação.
Mas o que eu disse, ou o que eu pensei, ou o que eu ouvi, ocupou apenas um instante. Em menos de cinco segundos, após sua partida, o meu pobre Toby tinha dado o pulo. Eu o vi correndo agilmente, alçando-se grandiosamente do soalho da ponte, traçando os mais espantosos floreios com as pernas, enquanto subia. Vi-o alto no ar, pulando admiravelmente, de pés juntos, por cima do torniquete, e, sem dúvida, pensei que era uma coisa insolitamente singular que ele não continuasse o pulo. Mas o pulo inteiro fora questão de momento. E antes que tivesse tempo de fazer qualquer profunda reflexão, o Sr. Dammit recuou para baixo, completamente de costas, no mesmo lado do torniquete, de onde havia partido. No mesmo instante, vi o velhote coxeando, no auge da velocidade, apanhar e enrolar no seu avental algo que caiu pesadamente nele, da escuridão do arco, justamente por cima do torniquete. Fiquei bastante atônito, diante de tudo isso; mas não tive tempo de pensar, porque. Dammit se conservava particularmente silencioso, concluindo eu que ele deveria estar muito magoado e necessitava de meu auxílio. Corri para o seu lado e descobri que ele havia recebido o que pode ser chamado de uma séria injúria. A verdade é que ele tinha sido privado de sua cabeça, a qual, depois de acurada procura, não pude encontrar em parte alguma. De modo que me decidi a levá-lo para casa e chamar os homeopatas.
Entrementes, um pensamento me abalou e eu escancarei uma janela da ponte, quando a triste verdade imediatamente cruzou-me o espírito. Cerca de metro e meio, justamente acima da extremidade do torniquete e cruzando o arco do passeio, como que formando um gancho, estendia-se uma lisa barra de ferro, colocada horizontalmente e que era de uma série de barras que serviam para reforçar a estrutura, em toda a sua extensão. Com a extremidade desse gancho é que pareceu evidente ter-se posto o pescoço de meu infortunado amigo precisamente em contacto.
Não sobreviveu ele muito tempo à sua terrível perda. Os homeopatas não lhe deram suficientes dosezinhas de remédio e o pouco que deram ele hesitou em tomar. De modo que, no fim, piorou e veio a morrer, dando assim uma lição a todos os viventes desregrados. Orvalhei-lhe o túmulo com minhas lágrimas, esculpi urna barra sinistra no escudo da família e, quanto às despesas gerais do enterro, enviei minha muito moderada conta aos transcendentalistas. Os velhacos recusaram-se a pagá-la, de modo que tive de desenterrar imediatamente o Sr. Dammit e vendê-lo para comida de cachorro.
Notas
(1) Publicado pela primeira vez no Graham's Lady's and Gendeman's Magazine, setembro de 1841. Título original: Never bet your head. A moral tale.
(2) Trocadilho com a expressão damn it, "dane-se" ou "vá para o inferno" (N. T.)
(3) General francês, inventor de vários engenhos bélicos. (N. T.)
(4) Antologia de autoria de Rufus Wilmot Griswold, pastor protestante que se desaveio, certa vez, com Edgar A. Poe. (N. T.)
(5) Um... dois... três... e... larga! (N. T.)
(6) Poeta contemporâneo de Poe, de escassa notoriedade. (N. T.)


Por Amanda Rocha e Priscila Biancardi

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Especial Edgar Allan Poe: Seleção de contos - parte 1


Como havíamos prometido na resenha de Medo Clássico do Edgar Allan Poe aqui, estamos trazendo hoje o início de um especial do autor com a seleção de seus melhores contos. O conto que trazemos hoje é "O gato preto", de 1843. Espero que gostem!


O gato preto - Edgar Allan Poe


Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas consequências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror — mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum — uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais. Desde a infância, tornaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu caráter. A ternura de meu coração era tão evidente, que me tomava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu caráter e, quando me tomei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que já sentiram afeto por um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfação que se pode ter com isso. Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões frequentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.
Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposição semelhante à minha. Notando o meu amor pelos animais domésticos, não perdia a oportunidade de arranjar as espécies mais agradáveis de bichos. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um cão, coelhos, um macaquinho e um gato. Este último era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se à sua inteligência, minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa, fazia frequentes alusões à antiga crença popular de que todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Não que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento. Pluto — assim se chamava o gato — era o meu preferido, com o qual eu mais me distraía. Só eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua. Nossa amizade durou, desse modo, vários anos, durante os quais não só o meu caráter como o meu temperamento — enrubesço ao confessá-lo — sofreram, devido ao demônio da intemperança, uma modificação radical para pior. Tomava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadiço, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me à minha mulher. No fim, cheguei mesmo a tratá-la com violência. Meus animais, certamente, sentiam a mudança operada em meu caráter. Não apenas não lhes dava atenção alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, porém, ainda despertava em mim consideração suficiente que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não sentia escrúpulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o cão, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, porém, ia tomando conta de mim — que outro mal pode se comparar ao álcool? — e, no fim, até Pluto, que começava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tomara um tanto rabugento, até mesmo Pluto começou a sentir os efeitos de meu mau humor. Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andanças pela cidade, tive a impressão de que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha violência, me feriu a mão, levemente, com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, súbito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diabólica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser. Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua órbita um dos olhos! Enrubesço, estremeço, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abominável atrocidade.
Quando, com a chegada da manhã, voltei à razão — dissipados já os vapores de minha orgia noturna —, experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas não passou de um sentimento superficial e equívoco, pois minha alma permaneceu impassível. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembrança do que acontecera. Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A órbita do olho perdido apresentava, é certo, um aspecto horrendo, mas não parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, à minha aproximação. Restava-me ainda o bastante de meu antigo coração para que, a princípio, sofresse com aquela evidente aversão por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irritação. E, então, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o espírito da perversidade. Desse espírito, a filosofia não toma conhecimento. Não obstante, tão certo como existe minha alma, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano -uma das faculdades, ou sentimentos primários, que dirigem o caráter do homem. Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? Acaso não sentimos uma inclinação constante mesmo quando estamos no melhor do nosso juízo, para violar aquilo que é lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insondável desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua própria natureza, de fazer o mal pelo próprio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o suplício que infligira ao inofensivo animal. Uma manhã, a sangue frio, meti-lhe um nó corredio em torno do pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore. Fi-lo com os olhos cheios de lágrimas, com o coração transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que não me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado — um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.
Na noite do dia em que foi cometida essa ação tão cruel, fui despertado pelo grito de "fogo!". As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde então, me entreguei ao desespero. Não pretendo estabelecer relação alguma entre causa e efeito — entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma sequência de fatos, e não desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do incêndio, visitei as ruínas. As paredes, com exceção de uma apenas, tinham desmoronado. Essa única exceção era constituída por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, aí, em grande parte, resistido à ação do fogo — coisa que atribuí ao fato de ter sido ele construído recentemente. Densa multidão se reunira em torno dessa parede, e muitas pessoas examinavam, com particular atenção e minúcia, uma parte dela, As palavras "estranho!", "singular!", bem como outras expressões semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatidão verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em tomo do pescoço do animal. Logo que vi tal aparição — pois não poderia considerar aquilo como sendo outra coisa —, o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflexão veio em meu auxílio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto à casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multidão. Alguém deve ter retirado o animal da árvore, lançando-o, através de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a intenção de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a vítima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de pé. A cal do muro, com as chamas e o amoníaco desprendido da carcaça, produzira a imagem tal qual eu agora a via. Embora isso satisfizesse prontamente minha razão, não conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consciência, pois o surpreendente fato que acabo de descrever não deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impressão. Durante meses, não pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espaço de tempo, nasceu em meu espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, embora não o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos sórdidos lugares que então frequentava, outro bichano da mesma espécie e de aparência semelhante que pudesse substituí-lo. Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a atenção despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constituíam quase que o único mobiliário do recinto. Fazia já alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que então me surpreendeu foi não ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a mão. Era um gato preto, enorme — tão grande quanto Pluto — e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto não tinha um único pelo branco em todo o corpo — e o bichano que ali estava possuía uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a região do peito. Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com força e esfregando-se em minha mão, como se a minha atenção lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisição, mas este não manifestou interesse algum pelo felino. Não o conhecia; jamais o vira antes. Continuei a acariciá-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposição de acompanhar-me. Permiti que o fizesse — detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acariciá-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente à vontade, como se pertencesse a casa, tomando-se, logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher. De minha parte, passei a sentir logo aversão por ele. Acontecia, pois, justamente o contrário do que eu esperava. Mas a verdade é que -não sei como nem por quê — seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo ódio. Evitava o animal. Uma sensação de vergonha, bem como a lembrança da crueldade que praticara, impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas, não lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer violência; mas, aos poucos -muito gradativamente —, passei a sentir por ele inenarrável horror, fugindo, em silêncio, de sua odiosa presença, como se fugisse de uma peste. Sem dúvida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manhã do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, também havia sido privado de um dos olhos. Tal circunstância, porém, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como já disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constituíra, em outros tempos, um de meus traços principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros. No entanto, a preferência que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em razão direta da aversão que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertinácia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava-se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas carícias. Se me levantava para andar, metia-se entre minhas pernas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo — apresso-me a confessá-lo —, pelo pavor extremo que o animal me despertava. Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia defini-lo de outra maneira.
Quase me envergonha confessar — sim, mesmo nesta cela de criminoso —, quase me envergonha confessar que o terror e o pânico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a atenção para o aspecto da mancha branca a que já me referi, e que constituía a única diferença visível entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrará de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princípio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase imperceptível — que a minha imaginação, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa —, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja menção me faz tremer... E, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugnância, do qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abominável: a imagem da forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte! Na verdade, naquele momento eu era um miserável — um ser que ia além da própria miséria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irmão fora por mim desdenhosamente destruído... uma besta-fera que se engendrara em mim, homem feito à imagem do Deus Altíssimo. Oh, grande e insuportável infortúnio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a bênção do descanso! Durante o dia, o animal não me deixava a sós um único momento; e, à noite, despertava de hora em hora, tomado do indescritível terror de sentir o hálito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso — encarnação de um pesadelo que não podia afastar de mim — pousado eternamente sobre o meu coração! Sob a pressão de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus únicos companheiros — os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em ódio por todas as coisas e por toda a humanidade — e enquanto eu, agora, me entregava cegamente a súbitos, frequentes e irreprimíveis acessos de cólera, minha mulher — pobre dela! — não se queixava nunca convertendo-se na mais paciente e sofredora das vítimas. Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas domésticas, até o porão do velho edifício em que nossa pobreza nos obrigava a morar. O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o juízo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que até então contivera minha mão, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o braço, detendo o golpe. Tomado, então, de fúria demoníaca, livrei o braço do obstáculo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no cérebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lançar um gemido. Realizado o terrível assassínio, procurei, movido por súbita resolução, esconder o corpo. Sabia que não poderia retirá-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos. Ocorreram-me vários planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no chão da adega. Em seguida, pensei em atirá-lo ao poço do quintal. Mudei de ideia e decidi metê-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma ideia que me pareceu muito mais prática: resolvi emparedá-lo na adega, como faziam os monges da Idade Média com as suas vítimas. Aquela adega se prestava muito bem para tal propósito. As paredes não haviam sido construídas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extensão, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma saliência numa das paredes, produzida por alguma chaminé ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. Não duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recolocá-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita. E não me enganei em meus cálculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e tendo depositado o corpo, com cuidado, de encontro à parede interior. Segurei-o nessa posição, até poder recolocar, sem grande esforço, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precaução possível, preparei uma argamassa que não se podia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede não apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o chão com o maior cuidado e, lançando o olhar em tomo, disse, de mim para comigo: "Pelo menos aqui, o meu trabalho não foi em vão".
O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de tão grande desgraça, pois resolvera, finalmente, matá-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontrá-lo, não haveria dúvida quanto à sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante a violência de minha cólera, e procurava não aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de espírito. Impossível descrever ou imaginar o profundo e abençoado alívio que me causava a ausência de tão detestável felino. Não apareceu também durante a noite — e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranquila e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assassínio sobre a minha alma. Transcorreram o segundo e o terceiro dia — e o meu algoz não apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. Não tomaria a vê-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa ação pouco me inquietava. Foram feitas algumas investigações, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, também, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava já como coisa certa a minha felicidade futura. No quarto dia após o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investigação. Seguro, no entanto, de que ninguém descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cadáver, não experimentei a menor perturbação. Os policiais pediram-me que os acompanhasse em sua busca. Não deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao porão. Não me alterei o mínimo que fosse. Meu coração batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o porão, de ponta a ponta. Com os braços cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A polícia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O júbilo que me inundava o coração era forte demais para que pudesse contê-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma única palavra, à guisa de triunfo, e também para tomar duplamente evidente a minha inocência.
— Senhores — disse, por fim, quando os policiais já subiam a escada —, é para mim motivo de grande satisfação haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores ótima saúde e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta é uma casa muito bem construída... (Quase não sabia o que dizia, em meu desejo de falar com naturalidade.) Poderia, mesmo, dizer que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes — os senhores já se vão? —, estas paredes são de grande solidez. Nessa altura, movido por pura e frenética fanfarronada, bati com força, com a bengala que tinha na mão, justamente na parte da parede atrás da qual se achava o corpo da esposa de meu coração. Que Deus me guarde e livre das garras de Satanás! Mal o eco das batidas mergulhou no silêncio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os soluços de uma criança; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, contínuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos demônios exultantes com a sua condenação. Quanto aos meus pensamentos, é loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei até à parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze braços vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cadáver, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes. Sobre sua cabeça, com a boca vermelha dilatada e o único olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja astúcia me levou ao assassínio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!


Por Amanda Rocha e Priscila Biancardi

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Indicação: Filmes com temas fortes

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A cura (1995): Esse é um dos meus filmes favoritos. A cura mostra a amizade de dois garotos vizinhos que resolvem se aventurar tentando achar a cura pra AIDS.
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Eu, Christiane F., Drogada e prostituída (1981): O filme, baseado em fatos reais e livro homônimo, acompanha a vida de uma adolescente passando por todos os problemas do vício nas drogas, desde o início do uso, a dependência na sua pior forma até a reabilitação.
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Como eu era antes de você (2016): O filme, baseado no livro homônimo, mostra os conflitos psicológicos de Will, que se tornou tetraplégico após um grave acidente e traz como pauta um assunto muito delicado, que é a eutanásia/suicídio assistido.
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Clube de compras Dallas (2013): Esse é possivelmente o filme que traz mais temas fortes da lista. Ele traz questões como: o vício em drogas, AIDS, tráfico e sexualidade.
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Geração Prozac (2001): O filme aborda a depressão. Além de falar sobre todas as pressões da sociedade, vícios, problemas familiares e todo o peso que isso traz para as pessoas, ele também fala sobre o tratamento e os conflitos de constantemente não se sentir compreendido.
-----------------------------------------------------hoje-eu-quero


Hoje eu quero voltar sozinho (2014): O único filme nacional da lista conta com um enredo no qual acompanhamos um adolescente, deficiente visual, buscando sua independência e o autoconhecimento sobre sua sexualidade.
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O mínimo para viver (2017): O filme original da Netflix tem como assunto principal distúrbios alimentares e a dificuldade de sair dessa condição. Por mais que o filme aborde principalmente a Anorexia, também são citadas doenças como Bulimia e Compulsão alimentar e todos os problemas que eles acarretam no corpo humano.
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Trainspotting (1996): O principal tema desse filme é o vício na heroína. No entanto, ele aborda o tema de maneira bem forte, tentando mostrar visualmente as sensações de uma bad trip, da abstinência, as perdas que a droga pode vir a causar e a dificuldade de se manter limpo, uma vez que se está viciado.


Nós, particularmente, gostamos muito de filmes com temas fortes/polêmicos. Espero que gostem das indicações e que aprendam com elas, acima de tudo.


Por Amanda Rocha e Priscila Biancardi

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Em Darkside Darkside books Edgar Allan Poe indicação livros Medo Clássico recomendação resenha Resenhas

Resenha: Medo Clássico - Edgar Allan Poe

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Livro: Medo Clássico
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: DarkSide books
Páginas: 384
Nota: 5/5


Sinopse
Seguindo o padrão quase psicopata de qualidade que os leitores já esperam da DarkSide® Books, o livro é uma homenagem a Poe em todos os detalhes: da capa dura à nova tradução feita por Marcia Heloisa, pesquisadora e tradutora do gênero, além das belíssimas ilustrações em xilogravura feitas pelo artista gráfico Ramon Rodrigues. E o mais importante: o conteúdo selecionado que recheia as 384 páginas deste primeiro volume de Edgar Allan Poe: Medo Clássico. E que conteúdo!


Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes.


O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. Os contos são comentados na voz do personagem mais famoso de Poe, um certo pássaro de asas escuras como a noite. E por falar nele, Edgar Allan Poe: Medo Clássico apresenta “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).


Uma obra tão completa que não poderia se limitar a um só volume. A DarkSide® Books já começa a organizar Edgar Allan Poe: Medo Clássico, volume 2. Além de Poe, Mary Shelley, Bram Stoker e Lovecraft também farão parte da coleção Medo Clássico, sempre com ilustradores convidados e tradutores que respiram e conhecem profundamente as obras originais.


Nunca mais houve um autor como Poe. Nunca mais haverá uma edição como esta.
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Minha opinião
Primeiramente vamos dar destaque para essa edição maravilhosa, já que livros do Poe são carentes de boas edições aqui no Brasil.
O livro conta com 15 contos com os mais variados temas, que pra mim é uma ótima seleção pra quem quer começar a ler o autor.
Não tem muito como falar sobre os contos do Poe sem dar spoiler, já que são contos curtos, mas dentre essa seleção, tem dois contos que se destacam: “o gato preto” e “nunca aposte sua cabeça com o diabo”. É um livro que vale a pena pra quem tá iniciando no mundo de Edgar Allan Poe e também pra quem já é experiente.


Em breve teremos um especial com uma seleção dos meus contos favoritos do autor.


Por Priscila Biancardi

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Em dia da mulher filmes Filmes amp; Livros gillian flynn indicação Karyn bosnak Lauren weisberg livros recomendação

Indicação de livros - Dia internacional da mulher

Hoje viemos trazer um post um pouco diferente. Existem vários filmes que são baseados em livros que nós nem sabíamos, hoje nós vamos deixar três livros que viraram filmes de autoras como indicação pra vocês.


O diabo veste Prada: Estrelado pelas rainhas Meryl Streep e Anne Hathaway, o filme conta a história de Andrea que acabou de se formar em jornalismo e luta por um emprego no mercado de trabalho, mas ela cai nas garras de Miranda, que está disposta a transformar a vida de Andrea em um inferno.
Mas disso nós já sabemos, o qur talvez algumas pessoas não saibam é que o filme foi baseado no livro homônimo de
Lauren Weisberger, que inclusive tem uma continuação, que se chama "A vingança veste Prada", que Meryl e Anne já disseram que adorariam estrelar também. Vamos torcer pra que façam uma sequência desse livro para as telonas, para podermos ter esses hinos de atrizes atuando juntas novamente.


Qual seu número?: Com Anna Faris e Chris Evans, o filme narra as Aventuras de Ali em busca dos seus ex namorados, mas porque ela está atrás do ex? Ali viu em uma revista que a maioria das mulheres que transaram com mais de 20 homens não conseguem se casar, e ela transou exatamente com 20, então pra não aumentar seu número ela vai atrás dos ex, e pra isso ela conta com a ajuda do seu vizinho, Collin que faz um trabalho investigativo para achar os caras, mas algo vai sair diferente do que os dois imaginaram.
Dos que eu indiquei até agora, esse é o que mais tem diferença no enredo em relação ao livro, mas quando se trata desse filme eu sempre tento enxergar ele separadamente do livro, que vale muito a pena ler, que é da autora
Karyn Bosnak. O livro originalmente se chama Twenty times a lady.


Lugares escuros: Gillian Flynn é uma autora que tem sido cada vez mais notada. Seus livros são recheados de bastante mistério, o que nos instiga a querer saber o final. Todos já sabem que "Garota Exemplar" foi uma adaptação cinematográfica de muito sucesso, mas o que poucos sabem é que outro título da autora foi adaptado para as telonas. O filme é de 2015 e a resenha do livro você pode ver aqui.


Por Priscila Biancardi

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Em a playlist de hayden amizade bullying indicação livros michelle falkoff recomendação resenha Resenhas

Resenha: A playlist de Hayden - Michelle Falkoff

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Livro: A playlist de Hayden
Autora: Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Nota: 5/5


Sinopse
Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente.
Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.
“A Playlist de Hayden” é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.
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Minha opinião
"Para Sam. Ouça. Você vai entender."


Lembro que quando vi "A playlist de Hayden" em uma livraria fui logo atraída pelo seu nome. Ao abrir o livro tive certeza que queria lê-lo. Cada capítulo tem como título uma música, e eu, como pessoal altamente musical que sou, não resisti. A maioria das músicas eu já conhecia, o que tornou a experiência ainda melhor. Além disso, o livro é cheio de referências nerds com a qual me identifico muito. Por vezes me identifiquei com a escrita da autora e com alguns personagens, então foi fácil me transportar para o livro.
No entanto, é importante não focar nisso. "A playlist de Hayden" é um livro sobre amizade, bullying, superação, sobre se sentir perdido quando perdemos alguém que amamos e os diferentes rumos para qual o luto pode nos levar. Por fim, acima de tudo, esse livro é um baita aprendizado.
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Extra
Quem quiser ouvir a playlist com todas as músicas do livro, a fiz no Deezer. Você pode acessá-la para favoritar aqui ou simplesmente dar play clicando no nome abaixo.


A playlist de Hayden


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Por Amanda Rocha

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Em indicação Jantar secreto Raphael montes recomendação resenha Resenhas

Resenha: Jantar secreto - Raphael Montes

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Livro: Jantar Secreto
Autora: Raphael Montes
Editora: Companhia das letras
Páginas: 360
Nota: 5/5


Sinopse
Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.
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Minha opinião
Lindíssimo, falou tudo.
Eu não costumo ler muitos autores nacionais, mas dos que eu li, o Raphael Montes é o melhor disparado.
Jantar secreto aborda um tema polêmico: canibalismo. O livro é super acelerado e quando você pensa que não, já estão acontecendo altas loucuras. Esse é aquele tipo de livro em que torcemos pro “vilão”. E se prepare para se pegar imaginando como deve ser o gosto de carne humana haha. É um pouco difícil falar desse livro sem dar spoiler, porque é um tiro atrás do outro, mas o desfecho do livro é algo que quem tá lendo não consegue imaginar que vai acontecer, então dêem uma chance pra esse livro e outros do autor, no mais, bom apetite.


Por Priscila Biancardi


 

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Em Como viver eternamente indicação livros recomendação resenha Resenhas Sally Nicholls

Resenha: Como viver eternamente - Sally Nicholls

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Livro: Como viver eternamente
Autora: Sally Nicholls
Editora: Geração Editorial
Páginas: 230
Nota: 5/5


Sinopse
Sam ama fatos. Ele é curioso sobre óvnis, filmes de terror, fantasmas, ciências e como é beijar uma garota. Como ele tem leucemia, ele quer saber fatos sobre a morte. Sam precisa de respostas das perguntas que ninguém quer responder. ”Como Viver Eternamente”, é o primeiro romance de uma extraordinária e talentosa jovem autora. Engraçado e honesto, este é um livro poderoso e comovente, que você não pode deixar de ler. A autora tem apenas 23 anos e embora seja seu primeiro livro, ele está sendo lançado em 19 países, dirigido a crianças, adolescentes e adultos.
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Nossa opinião
"Quando você estiver lendo isso, provavelmente já estarei morto"


Se preparem pra deitar em posição fetal e chorar por horas seguidas.
Como viver eternamente é um livro super gostoso de ler, é narrado por Sam, um garotinho de 11 anos super inteligente, carismático e que adora listas, mas infelizmente tem leucemia.
O livro em si é uma lição de vida, Sam e seu amigo Felix, nos ensinam a viver intensamente. Confesso que peguei o livro pra ler sem muitas expectativas, mas quando dei por mim já tinha acabado. Eu não imaginava o quanto amaria.
Em suma, é um livro muito bonito, leve de certa forma, porém nos faz pensar em coisas que normalmente não pensamos. Como viver eternamente é um livro sobre o amor, amizade, as marcas que deixamos na vida das pessoas que amamos e sobre dar valor às coisas mais simples.


Por Amanda Rocha e Priscila Biancardi

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